Envie um Whatsapp
Ligue Agora

Será que passamos do ponto, e hoje não somos nada além da vendedora que diz que a roupa caiu muito bem?

A busca pela beleza, padrões de beleza e a própria definição são tão antigas quanto a sociedade. Talvez uma das definições que mais me agrade seja: a beleza é a harmonia dos elementos, conciliada com sua própria função.
É o principio de adequação ao escopo.
Por mais belo que possa ser um martelo de cristal, ele é imprestável para cumprir sua função. Por mais “engraçadinho”, “arrebitadinho” e “delicado” que possa ser um nariz, se ele não combina com o restante do seu rosto, ou não permite que se respire bem, é feio e inútil.

É o princípio que me guia na minha profissão: cirurgião plástico. Talvez o entendimento desse conceito nos diferencie de comerciantes de silicone, técnicos de insuflamento de seios.

A percepção do Belo está sob influência direta de fatores culturais, étnicos e temporais. Múmias de 5000 anos tinham suas orelhas furadas, no Egito, Japão, China, Polinésia, desde 3000 a.C, suas civilizações costumavam fazer tatuagens. As mulheres Kayan de Burma alongam seus pescoços com a utilização de argolas de metal. Na China, pré comunismo, era muito comum a prática do “foot binding”, que consistia na amarração dos pés das meninas, a partir dos 2 anos de idade, para evitar que eles crescessem além de 10 cm.

O quanto estamos dispostos a seguir esses padrões, ainda mais em uma era tão exposta ao marketing e a globalização, é uma questão fundamental. Assim como o reconhecimento da importância da nossa prática médica, também o é.
Outro ponto interessante é que já podemos mensurar e averiguar muitas dessas vantagens da tão falada melhora da autoestima. Não é questão puramente mercadológica, ou satisfação de “vestir uma blusinha melhor”. Existem diversos trabalhos científicos, questionários sobre qualidade de vida, mostrando impacto positivo profundo na satisfação das mulheres com relação aos seus seios, melhora no comportamento psicossocial e relação sexual.

Precisamos cuidar para que o equilíbrio da balança seja mantido, cuidar para que modismos não sobrepujem o entendimento, e cuidar para que a “repulsa” não seja apenas preconceito.

http://www.ehow.com/about_6565215_history-pierced-ears.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Kayan_people_(Burma)

http://youtu.be/XnmOqpoDFEw

Cosmetic breast augmentation can have a significant and profound positive impact on a woman’s satisfaction with her breasts [and] her psychosocial and sexual well-being

according to the report by ASPS Member Surgeon Colleen M. McCarthy, MD of Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, New York, and coauthors.

Analysis of satisfaction and well-being in the short follow-up from breast augmentation using theBREAST-Q, a validated survey instrument.
Coriddi M, Angelos T, Nadeau M, Bennett M, Taylor A.
Aesthet Surg J. 2013 Feb;33(2):245-51. doi: 10.1177/1090820X12472980. Epub 2013 Jan 1

Survey of breast implant patients: characteristics, depression rate, and quality of life.
Kalaaji A, Bjertness CB, Nordahl C, Olafsen K.
Aesthet Surg J. 2013 Feb;33(2):252-7. doi: 10.1177/1090820X12473106. Epub 2013 Jan 16.

http://veja.abril.com.br/…/19/o-silicone-a-mulher-e-o-homem/

Fábio Saito

Cirurgião Plástico com formação pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sócio Diretor da Essere Clínica Médica, apreciador de um bom café e de bons momentos da vida. No Insta você pode mandar DM no @fabiosaitocirurgiaplastica